O dia em que Vygotsky surtou

Inovação é a ação ou efeito de inovar. Por exemplo: aquilo que é novo, coisa nova, novidade.

Essa palavrinha virou moda faz um tempo e agora, devido à pandemia, todos falam de um “novo normal” inovador.


Gosto de ler textos que relacionam inovação ao processo educativo escolar e brinco de encontrar o “dono” da inovação.


Hoje li um texto maravilhoso sobre inovação no espaço escolar. O texto falava de espaços abertos, mais amplos e arejados. Achei incrível, mas tudo isso se tratava de inovação na arquitetura. 


Gamificação é uma inovação tecnológica. Eu amo essa ideia e acho que ela demorou muito para chegar até as escolas.  Creio que, se ela não for usada para estimular a memorização de conteúdos fragmentados, mas sim para desenvolver estratégias de soluções de problemas complexos, será eficiente, mas se for usada somente para estimular a decoreba de conteúdos através da repetição… Socorro! 


Aula invertida virou quase uma “religião” na pandemia. Parece que ela chegou para solucionar o fracasso do sistema educacional. Mas sempre que leio sobre a aula invertida, eu penso: Uma camiseta do avesso, deixa de ser camiseta? A aula invertida carrega toda a ineficiência de uma aula com seu conteúdo planejado pelo professor.

Sem autonomia o professor, que segue um programa fragmentado, e o aluno, que segue o que o professor pede.

Não consigo compor uma frase usando as palavras aula e inovação, pois se há aula, não há inovação.


Vamos pensar em inovação na educação?


Se a aula não está na lei e nem há embasamento científico, por que a escola insiste em dar aula? 


A vida real é repleta de saberes desfragmentados, por que ainda se fala em conteúdo fragmentado em disciplinas nas escolas?


Se todos somos diferentes e únicos, por que as escolas padronizam o quê se deve aprender,  como, quando e em qual velocidade?


A nota de uma prova diz mais sobre a capacidade de memorização ou de burlar o sistema e colar, do que sobre aprendizagem. Uma evidência de aprendizagem pode ser demonstrada de várias formas práticas. Quando aprendi a dar o lacinho nos cadarços de meus tênis, eu não fiz uma prova e mesmo assim, até hoje sei dar lacinhos, no entanto, eu fiz muita prova sobre raiz quadrada e hoje não sei fazer. Então para quê a prova? Qual embasamento científico para a prova? 


O que será que Freinet, Piaget, Rogers, Teixeira, Illich, Wallon, Oliveira Lima, Kilpatrick e Dewey diriam ao saber que em pleno ano de 2020 ainda temos aulas, séries, turmas, conteúdos fragmentados por disciplinas e provas, e maquiam tudo isso para chamar de educação inovadora do futuro?


Professores, mesmo após conhecerem os estudos de Vygotsky, parecem não entender nada do que ele disse e continuam a dar aulas. E pior, às vezes dão aula sobre Vygotsky. Você conta, ou eu conto para Vygotsky?


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Texto relacionado: Para hackear o velho sistema educacional


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Comentários

  1. Olá Tina, como vai?
    Acabei de ler seu texto e achei bem interessante. Porém, bati palmas aqui sozinha, diante de meu computador, quando li "Aula invertida virou quase uma “religião” na pandemia. Parece que ela chegou para solucionar o fracasso do sistema educacional. Mas sempre que leio sobre a aula invertida, eu penso: Uma camiseta do avesso, deixa de ser camiseta?"
    Sensacional!!!! Uma analogia tão simples e tão espetacular para tratar o assunto. Adorei!!!!!
    Vou te parafrasear de vez em quando, se você me permitir. Mas pode deixar que se eu citar a mesma fase, farei questão de dizer onde a li pela primeira vez.
    Forte abraço
    Danielle Wolff.

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    1. Minha amiga.... só dando muita risada, não? Confesso que também dei muita risada quando escrevi. :P

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  2. Leio seus textos e vou me dando puxões de orelha, já usei várias dessas estratégias, e confesso que ainda uso.... Mas para mim é tão bom ler e reconhecer meus erros, pois por eles eu aprendo, e sigo firme em meu propósito de ser uma eterna aprendiz. Talvez Vygotsky esteja pensando, salvei mais uma! Gratidão pelos ensinamentos Tina!! Aliás, acabei de ter uma ideia de como usar os games diferente de como venho fazendo... depois te conto.

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    1. Fica em paz minha amiga, eu também já errei bastante... O importante é reconhecer o erro e desejar fazer diferente. Agora fiquei curiosa 😃... Quando der, me conta suas ideias.

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