Hoje, não se ensina nem se aprende

De tanto falar em ensinagem, as escolas universidades esqueceram que nasceram para promover a aprendizagem

“É incrível como as pessoas continuam pedindo mais educação, mais educação, mais educação. E o pior é que entendem por isso mais ensino, mais professor, mais escola e não mais-aprendizagem. Deveriam pedir: mais construção de conhecimento novo, mais capacidade de aprender a aprender, mais criatividade... As pessoas pedem mais educação porque querem fazer a cabeça dos filhos dos outros e, para tanto, precisam capturá-los e trancá-los nos prédios que chamamos de escolas. [Augusto de Franco]

“Em uma escola que tem sala de aula, aluno, provas, tudo isso, não se pode fazer educação integral. As pessoas confundem escola com edifício, mas a escola são as pessoas. Hoje, não se ensina nem se aprende, porque não se pode dar a beber a um cavalo que não tem sede. [José Pacheco]

O que aconteceu com a curiosidade desses jovens, que na infância tinham olhos brilhantes e vários “por quês” na ponta da língua?

Com um olhar distante e uma fala cansada, esses dias um aluno me disse que na faculdade ele descobriu que não gosta até do que achava que gostava.

Em outra ocasião, falando que o processo de aprendizagem depende da querência e a querência depende de afetividade para despertar a curiosidade, escutei de uma aluna, com tom não muito amigável, que se a aprendizagem depende da afetividade, o pior lugar para se aprender é a universidade, pois os professores são super distantes.

O que falar dos professores universitários?

Pude desenvolver uma relação afetuosa com alunos universitários. Conheço muitos pais, cônjuges, filhos, namorados e já estive na casa de alguns para um delicioso almoço em família no domingo.

Para que isso fosse possível, foi necessária a aceitação do diferente, uma professora que tinha um novo olhar para o processo de aprendizagem... e claro, número de alunos limitado por sala, pois em turmas enormes é sobre-humano atender as necessidades de cada indivíduo. 

Em contrapartida, conheço professores que não dizem “bom dia” para o aluno fora de seu horário de trabalho.

A arrogância da cátedra impede qualquer transformação na educação universitária. Até porque a maioria dos professores universitários, não estudou educação e como disse Rubem Alves, para os doutores urubus, o saber mais precioso é a contemplação da carniça.

Em 2015 houve um edital no MEC que cadastrou mais de 170 Escolas Inovadoras e Criativas pelo Brasil.

Voltando um pouquinho mais no tempo, em 2013, com todo o turbilhão do termino e lançamento do III Manifesto pela Educação e os preparativos para o Edital do MEC, questionei Helena sobre a possibilidade de um edital que contemplasse as Faculdades e Universidades. E tive que engolir a realidade de sua resposta: Não temos número suficiente de Faculdades e Universidades com uma educação inovadora no Brasil.

Até hoje, conheço apenas 3 universidades (1 privada e 2 federais) e algumas poucas iniciativas de professores em todo Brasil que romperam com a educação formatada, seriada, fragmentada e adotaram a Aprendizagem por Projetos complexos, reais e de interesse dos alunos. Que tristeza, pois são elas que promovem a formação dos futuros profissionais e professores. 

Tirar esses jovens da Zona de Conforto e da esteira da linha de montagem dá muito trabalho, mas os resultados são surpreendentes.

Não dá para tampar o sol com a peneira, as universidades podem falar das mais lindas teorias de aprendizagem em seus documentos pedagógicos, mas na prática aplicam a Educação Tradicional, ultimamente camuflada por tecnologia ou alguma metodologia da moda, mas insistem em ensinar e não promovem a aprendizagem.

CONVITE: Se você conhece alguma universidade com propostas disruptivas, vamos conversar.

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Comentários

  1. Lindo texto Tina! Conheci o trabalho da UFPR - Campus Litoral na CONANE. Eles tem atė um mestrado territorios.

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    1. Querida Jackie - São iniciativas tão pontuais, não?

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