A tecnologia na educação é uma cortina de fumaça

Ou mudamos a mentalidade das pessoas que fazem educação, ou assumimos que usamos a tecnologia como cortina de fumaça para maquiar o ensino tradicional.

Qual a diferença em decorar qualquer assunto escrevendo 100 vezes no caderno ou jogando 100 vezes um joguinho? Ahh, o joguinho é mais legal. Ai, caramba...

O problema não é o meio (ferramenta) que se utiliza para decorar algum assunto, o problema é continuarmos a aplicar o ensino tradicional, conteudista, fragmentado, com foco na memorização de curto prazo, onde o conteúdo não tem aplicabilidade prática para algo de interesse do aluno e a finalidade é reproduzir o pensamento alheio em uma prova para tirar nota.
Uma mudança de meio, não trará avanço para a transformação da educação com foco na construção de um aprendizado efetivo. ferramenta tecnologia não é uma metodologia de aprendizagem.

Sou professora de criatividade em cursos de publicidade e propaganda. Constantemente escuto de meus alunos que eles precisam aprender programas gráficos como Photoshop, InDesign ou Ilustrator, para serem mais criativos. NÃO, a ferramenta que eles usam, não os transformará em criativos. A criatividade depende do uso do cérebro e não de uma ferramenta. A ferramenta é um meio de expressar sua criatividade ou sua limitação.

Transformar a educação depende da transformação de pessoas: alunos, professores, coordenadores, diretores de escolas e universidades, pais de alunos e agentes governamentais.
Mudar pessoas é muito mais difícil do que implantar uma nova ferramenta tecnológica e parece que entre os agentes educacionais, há sempre uma tendência de procurar os caminhos mais fáceis.
A tecnologia pode ser uma ferramenta aliada para a transformação da educação, mas a transformação depende de uma mudança estrutural na forma de pensar todo processo educacional e da compreensão das individualidades da construção do conhecimento.
Não adianta implantar um sistema tecnológico altamente avançado, se o produto final for o adestramento dos alunos a colocar um “Xzinho” no quadradinho correto na prova.

O artigo “Faculdade brasileira cria campus inteligente com soluções dos próprios alunos”, apresenta o conceito de smart cities em um espaço criado pelos alunos da Faculdade de Engenharia de Sorocaba (Facens) e atribui grande parte do avanço estrutural dos projetos ao uso de robôs, impressoras 3D, entre outras soluções.
No entanto, a maior transformação nesta faculdade foi a forma de pensar a aprendizagem dos agentes envolvidos no processo educacional, tendo como pano de fundo a solução de problemas reais, através da implantação de uma Metodologia Ativa, a Aprendizagem por Projetos de interesse dos alunos. 
A grande mudança não foi disponibilizar ferramentas tecnológicas, e isso ficou muito claro na última frase da matéria:

O que estamos fazendo?


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Fotografia Pixabay dbambic

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Comentários

  1. É mais ou menos assim: Está chovendo. estão havendo "goteiras" na casa (problema). Vamos resolver? Coloca-se um "balde" debaixo de cada goteira... Quando tornar a chover estará a goteira lá novamente e o ciclo persiste. Deveríamos colocar menos "baldes" e trocar mais "telhados".

    Devemos aplicar as reflexões deste e dos demais textos sempre em duas instâncias, em todas as pessoas já atuantes nesses meios (como os citados no texto) e nas pessoas que futuramente assumirão esse papel (crianças). Como lidar com essa transformação da base? O que estamos fazendo?

    Obrigado pelo ótimo texto!

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    1. Diego, meu querido ex aluno, agora amigo e parceiro conspirador... Que analogia sensacional essa do balde, goteiras e telhas. Trocar telhas dá muito trabalho, no entanto eu insisto em me esticar para trocar as telhas.

      Uma transformação na base é o ideal. Alguns enxergam sua necessidade, mas são pouquíssimos os que sabem como fazer.

      Sigamos com esperança.

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    2. Minha amiga, irmã e eterna mestre, é uma honra ler tal resposta... Você trouxe novamente o resumo perfeito do caminho "transformar a base". Agora fica a problemática para reflexão com base nas pessoas que enxergam essa necessidade: a exemplo da Faculdade de Engenharia de Sorocaba (Facens), mas não se limitando a tal, como ou por onde ampliar essa rede?

      Sigamos. Firmes!

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    3. Percebo que há insegurança em mudar o que sempre foi feito, medo do desconhecido, pressão contrária da maioria dos agentes envolvidos. O processo é lento. Eu não queria que fosse assim, mas as vezes me sinto gritando no vácuo. Enquanto tiver fôlego, continuarei gritando.

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    4. Esse medo é fruto do próprio instinto de sobrevivência, há insegurança e a insegurança parte justamente da bagagem que eles carregam, pois hoje eles que estão à frente da sala de aula foram quem estava lá sentados assistindo em outrora, é aquela ideia do oprimido hoje sendo opressor, isso foi ensinado e eles decoraram esse comportamento o qual reproduzem como robôs, dizer para mudarem é como dar tela azul do windows (!), talvez antes mesmo deles acreditarem na mudança, devem acreditar que podem eles mesmos mudar, girar a chave.

      Quando crianças aprenderam que não podiam cair e se machucar (errar) e agora adultos sequer caminham (arriscam) com medo de tropeçar, pois introjetaram que não podem cair, assumem essa postura rígida por não se lembrarem o quanto eram flexíveis. O detalhe é que cada caso é um caso, e o que tornou um profissional "x" dessa forma, não é exatamente o mesmo que tornou o "y" da mesma maneira. Deve ser feito um trabalho muito minucioso de desconstrução e até de imersão para se compreender quando essas pessoas deixaram de ser crianças, criativos, flexíveis, fazê-los compreender que errar também faz parte de uma metodologia de aprendizagem sadia poder ser um dos primeiros passos mesmo. Agora, assim como uma metodologia de aprendizagem por projeto parte do interesse da pessoa por determinados temas, como despertar nesses "profissionais" o interesse para atraí-los para esse diálogo visando esse bem maior? Como partir do próprio mundo deles para expor que existem caminhos que são melhores e mais produtivos para eles mesmos? E perguntar a um professor de, digamos, português o porque ele não aprendeu matemática, evidenciando diretamente que mesmo um profissional da área não teve o aproveitamento de todo o seu potencial devido a fragmentação é, sem dúvida, um ótimo gatilho para de alguma forma ir despertando essas pessoas para algo que elas não tem conseguido ouvir. Gritemos irmã, força!

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