Muitos querem transformar a educação, mas poucos sabem o que realmente precisa ser transformado

Faço parte de alguns grupos que pensam, estudam e fazem a transformação da educação.
Acompanho o trabalho de empresas, palestrantes e estudiosos das atuais necessidades educacionais.
Posso afirmar que muito do que leio e vejo são ‘cortinas de fumaça’, que camuflam a educação tradicional em uma roupagem modernosa de tecnologia ou artifícios para melhorar a velha memorização de conteúdos fragmentados. Palestrantes motivacionais que contam ótimas piadas e usam palavras de efeito para demonstrar novas técnicas de memorização através da gamificação, que chamam de Metodologia Ativa (destorcida, é claro).
É a busca incessante por uma metodologia pedagógica ‘formula mágica’ padronizada, que funcione para todos os colégios e universidades, para manter o aluno passivo, mas entretido e motivado, em salas de aula superlotadas, gerando alto lucro para as instituições de ensino.

Quando menina, li um texto que contava a história de uma senhora, que com sua lambreta atravessava a fronteira do país vizinho todos os dias. Ela sempre carregava um saco enorme na garupa. Os policiais de fronteira sempre solicitavam que ela parasse para verificar o conteúdo do enorme saco, pois desconfiavam de contrabando. Mas todos os dias, eles só encontravam areia. O final do texto revela o que os policiais, por estarem tão preocupados com o conteúdo do saco que a senhora carregava, nunca descobriram que na realidade ela contrabandeava lambretas.

Precisamos parar de achar que o problema da educação é o saco de areia.

Todos os esforços para desenvolver uma metodologia inovadora padronizada da educação, tenderão ao fracasso, por um motivo muito simples: dois dos principais problemas da educação são a PADRONIZAÇÃO e a FRAGMENTAÇÃO. A padronização, gera exclusão da maioria e a fragmentação, gera a desconexão dos saberes com a vira real e impossibilita a construção de pensamentos complexos.
Uma forma única e fragmentada de ensinar o maior número de pessoas ao mesmo tempo, feito linha de montagem, não tem como foco a aprendizagem dos alunos. As pessoas têm diferentes ritmos, formas de raciocínio, formas de construir o conhecimento, necessidades emocionais, aptidões, desejos e sonhos.  

Se você pretende repensar a educação, comece pela DESPADRONIZAÇÃO e DESFRAGMENTAÇÃO dos processos, com possibilidades de atender cada criança, adolescente, jovem ou adulto como um ser único, pois é isso que eles são.

Para refletir: 
Por que crianças de 6 anos só podem conviver com crianças de 6 anos?
Quem disse que tem hora certa para ser alfabetizado?
Quem disse que todas as crianças devem aprender fração na mesma idade?
Por que as apostilas impõem o ritmo e a sequência dos conteúdos?
Por que os conteúdos são fragmentados?
Por que um curso universitário precisa de disciplinas?
Quem disse que decorar é aprender?
Quem disse que nota reflete aprendizado?

"Não vale a pena tentar melhorar o velho modelo educacional. Vale a pena tentar novas construções sociais de aprendizagem" [José Pacheco] - Assista ao vídeo.

Ilustração de Anthony Tremmaglia : https://br.pinterest.com/pin/313844667754254433/


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Comentários

  1. Você é fantástica!!
    Obrigada Andreans por ter me apresentado Tina Carvalho!!!!
    👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏

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  2. Ótimo texto, parabéns pelo blog, está muito bom! Seria ótima essa transformação, é muito bom pensar que uma criança, por exemplo, ao selecionar uma cor preferida em um círculo cromático poderia se conectar a um saber que imediatamente é associado a outro e a outro... fazendo assim com que o espírito de aventura em descobrir coisas novas através da vivência, da prática, do próprio interesse e curiosidade, se manifeste.

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    1. Linda reflexão querido Diego. As possibilidades são infinitas, se não há uma cartilha para ser seguida.

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  3. Gente, estou amando seu blog! Vai de encontro com tudo o que acredito, como mãe e educadora - sou professora de ingles, e tenho estudado metodologias e inclusão no ensino de linguas...

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    1. Fico muito feliz em saber que você está gostando. Eu tenho esperança na transformação da educação e irá começar por nós, educadoras.

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