A ‘assustadora’ desescolarização


À primeira vista, a escola é a única alternativa onde uma criança aprende. Mas será mesmo que ela é o único espaço de aprendizagem? 
Sou uma Pedagoga defensora da escola, mas de qual tipo de escola estamos falando? Daquelas que padronizam ‘o que’, ‘como’ e ‘quando’ o aluno irá aprender um determinado assunto? Então... eu defendo as raríssimas escolas humanizadas, criativas e inovadoras, que respeitam o ritmo e a curiosidade individual das crianças, que trabalham com a Pedagogia dos Projetos, que não fragmentam os saberes e que priorizam a aprendizagem ao invés da 'ensinagem'. 

Hoje em dia, há movimentos no Brasil para a legalização da educação domiciliar (homeschooling).
Neste formato, a criança está formalmente matriculada em uma escola, segue as apostilas, faz as provas regularmente, há uma sequência e um ritmo do que deve ser aprendido. O diferencial é que ela estuda em casa e é supervisionada pelos pais.

Quando falamos em alternativas, a desescolarização (unschooling) é a que causa maior receio, pois muitas pessoas confundem com ‘negligenciar o aprendizado da criança’, e não é isso.
Para entender o unschooling, é preciso ter outro olhar de como e quando uma criança aprende.
Uma criança vidrada por insetos, por dinossauros, por plantas, por robótica, por marcenaria, por música, por dança, por culinária irá aprender os saberes formais acadêmicos desfragmentados, pesquisando temas de seu interesse. Ela irá aprender no seu ritmo, na sua sequência e o mais importante, com prazer, pois será baseado em sua curiosidade.
Sua sala de aula será sua casa, o quintal, a praça, a marcenaria da esquina, o bairro, o museu, o parque, o clube, a biblioteca, a casa da avó, a viagem, a escola de futebol, a oficina de arte e o planeta.

O desconhecido assusta, mas faço um convite: conheça famílias que praticam unschooling. Queira saber por que elas optaram por tirar os filhos da escola e verifique como vai o aprendizado das crianças.
Muitas dessas famílias passaram por momentos de grande angústia e sofrimento antes de tirar seus filhos da escola. Um exemplo está no artigo: Meu filho está perdendo o brilho nos olhos.

Observações complementares:
- Homeschooling ou unschooling não é para todos e requer uma estrutura familiar, social e financeira;
- Ter alternativas, não isenta o Estado de prover educação de qualidade para todos;
- Essas modalidades precisam ser aceitas como alternativas legais para famílias que querem escolher como seus filhos irão aprender e crescer intelectualmente;
- Falar em alternativas para a escola, não elimina as escolas das famílias que querem ou precisam das escolas.

Link relacionado: Orgulho de ser prisioneiro

Fonte da imagem: https://www.macetesdemae.com/a-importancia-do-imaginario-infantil/

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Comentários

  1. Muito bom professora, eu criei apenas uma dúvida. Como poderíamos implantar um projeto que atingem uma quantidade maior e forneça uma educação de qualidade. Pois acredito ser o ideal da aprendizagem este projeto.

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    Respostas
    1. Caio querido,
      Eu defendo a liberdade de escolha para as famílias.
      A educação domiciliar não é uma proposta de massa, mas pontual.
      Nossas escolas (públicas e privadas) não estão fornecendo uma educação de qualidade faz décadas.
      Este é um assunto bom para papearmos.
      Saudade.

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