Os 4 passos para aumentar o desempenho de seus alunos de 5% para 60%

Essa semana, quando cobrava mais empenho, capricho e dedicação de um grupo de alunos que havia feito um bom trabalho, um gentil aluno me questionou: “Professora, eu não tenho meus pais, trabalho de segunda a sábado para pagar esse curso. Me acabo de final de semana para cuidar da casa e fazer os trabalhos da faculdade e a senhora está cobrando mais? Você não tem dó desse seu aluno?”
Eu respondi de pronto: “Eu não tenho a menos dó de você, por um motivo muito simples: EU RESPEITO O SEU SONHO. Você está aqui se sacrificando financeiramente, emocionalmente e fisicamente, pois acredita que isso irá mudar a sua vida, não é? Mas se eu aliviar para o seu lado e passar a mão na sua cabeça, esse investimento não valerá a pena”.

Há quase uma década, eu observava os alunos do último ano de faculdade. Jovens que nunca fizeram um estágio prático e sem nenhum projeto excelente em seu portfólio. Nem 5% daqueles futuros diplomados estavam aptos ao mercado de trabalho. O diploma não faria diferença.
Eram jovens de classe media baixa, que passaram alguns anos frequentando uma instituição de ensino, com o sonho de que aquele esforço mudaria sua vida, mas ‘passaram a mão em suas cabeças’. Foram alguns anos executando atividades controladas pelos professores, totalmente fragmentadas e sem a necessidade da busca da excelência. Bastava cumprir a tarefa para ganhar nota e passar para o próximo semestre.
Triste ilusão.
Eu não poderia ficar apática àquela sistemática do “eu finjo que te ensino e você finge que aprende”.
Eu cobrava MUITO daqueles jovens e as conquistas foram bem expressivas.
Tudo acontecia com o desenvolvimento de projetos reais, interdisciplinares ou transdisciplinares, e todos muito complexos.
Se os alunos não se envolvessem, não conseguiriam fazer o projeto. Normalmente eles queriam se envolver, pois os projetos eram escolhidos por eles.
Se os alunos não investigassem e pesquisassem muito, não entenderiam nem qual era o problema.
Se os alunos não lessem livros, não conseguiam encontrar embasamento para solucionar o problema.
Como eu não dava as respostas e as soluções dos problemas, os alunos precisavam se desdobrar para buscar a solução.
Em nenhum momento passava pela minha cabeça, aliviar as dificuldades do percurso ou dar as respostas.
Para completar, eu cobrava excelência em todos os projetos. Desde o primeiro semestre, o foco era montagem de portfólio, aquisição de competência e habilidades, com uma visão ampla dos problemas e conhecimento de caminhos diversos para soluciona-los. Todo conhecimento teórico e conceitual era adquirido durante o processo de elaboração dos projetos e davam base para o desenvolvimento de um pensar crítico. Era o aprender fazendo.
Em pouquíssimo tempo, os alunos entendiam a proposta e passavam a desenvolver de forma autônoma o engajamento na construção de conhecimentos complexos.
O processo não era simples e havia muitas resistências pelo caminho, mas os resultados eram turmas com mais de 60% de futuros diplomados aptos ao mercado de trabalho.

1º passo – Professor pare de dar aulas. Não limite a aprendizagem de seus alunos aos seus saberes. Quanto mais aulas você der, mais seus alunos serão dependentes do saber alheio. Terão uma auto percepção de incapacidade de criar, inovar ou desenvolver pensamentos próprios.
2º passo – Acredite no potencial de seus alunos. Potencial eles têm, mas boa parte deles não lembra, pois passaram anos sentados em bancos de escolas acreditando que o melhor a fazer é reproduzir o que o professor diz.
3º passo – Como processo de aprendizagem adote a Aprendizagem por Projetos – uma Metodologia Ativa que realmente coloca o aluno como protagonista de sua aprendizagem. Dê a autonomia para seus alunos desenvolverem projetos reais, com problemas reais, de interesse deles e que possam ser solucionados por eles.
4º passo – Cobre capricho e excelência. Como disse Mario Sérgio Cortella, capricho é fazer o seu melhor, nas condições que você tem, enquanto não tem condições de fazer melhor ainda.

Quando o aluno faz o que o professor manda, ele faz por obrigação, mas quando ele faz um projeto, pois deseja solucionar um problema, ele irá se empenhar em fazer o seu melhor.


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