Ela nasceu para voar, mas acredita que é incapaz

A primeira coisa que fiz foi dizer: “Você tem asas! Elas só estão atrofiadas por falta de uso. Será necessário um esforço extra para elas voltarem a funcionar, mas você é capaz de voar.”
Os dias passavam, e tudo que ela sabia dizer era: “eu não tenho asas e não sou capaz de voar.”
Quanto mais eu insistia na capacidade autônoma dela, mais ela rastejava em sua inquietude nervosa. Rastejar era cômodo, pois ela cresceu rastejando.

Todos nascem criativos, curiosos e sedentos para aprender tudo o tempo todo, no entanto, nosso sistema educacional, desde a educação infantil, insiste em dizer que todos são incapazes. São tão incapazes, que a única coisa que podem fazer é reproduzir o que o professor fala.

A menininha, em sua tenra idade foi para a escola e em um gesto alegre, fez uma garatuja de uma flor. Com sorriso, entregou para a professora.

A professora, com sua gentil boa vontade de ensinar, pega o papel da menina e diz, “vou lhe ensinar como se desenha uma flor”, e desenha o estereótipo de uma flor. Isso se ela não pegou aquelas fotocópias para a menina colorir.
       

Pronto, este foi o primeiro atestado de incapacidade da menina. A frustração de perceber que seu desenho não foi suficientemente bom é disfarçada pelo imediatismo da criança pequena que se distrai com outros atrativos do mundo ao seu redor.  A próxima vez que ela pegar um papel dirá: “não sei desenhar.”
Mas ela cresce e vai passar pelo processo de alfabetização. Neste momento, a doce professora corrige sua letra, sua escrita e sua leitura. A menina percebe que estava tudo errado e mesmo ela se esforçando e refazendo o exercício muitas vezes, ela se percebe incapaz.
A menina torna-se tímida e com qualquer desculpa, logo não quer mais ler em voz alta, não quer escrever e não quer ir para a escola.
Ao longo dos anos, este processo só vai se agravando. Cada vez mais os professores reforçam a incapacidade da aluna. Em algum momento deste processo longo, ela desiste e se conforma em sua incapacidade. Assume uma posição passiva e aprende a reproduz o que o professor declama. Não se esforça mais para desenvolver pensamentos autônomos, criativos ou críticos.
Ela passou 12 anos construindo seu mundo, sem voos, sem curiosidade, sem interesse e sem desejos de aprender. Essa garotinha chegou à faculdade e repudia qualquer um que tente tira-la daquele mundinho confortável.

Ela nasceu com asas, mas passou tantos anos acreditando que era incapaz, que esqueceu de que nasceu para voar.

Fonte da imagem: https://www.powerofpositivity.com/6-signs-youre-earth-angel-dont-know/


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Comentários

  1. Professora muito bom de verdade, a maiêutica que precisamos realizar em nossos alunos é algo mais que necessário, mas professora muitos educadores desistiram disso é não tem motivações pra ensinar... A maiemaiêu precisa ser realizada até neles, é inconcebível amarrar um indivíduo em uma cadeira e pedir que Socrates fale toda sua sabedoria, o indivíduo precisa querer voar em primeira mão, ele precisa querer conhecer, e nos como magos e feiticeiros, precisamos aprender a despertar a magia do conhecimento nos seres, precisamos dar a luz a uma mae grávida....

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    1. O mundo precisa de mais "Caios", com autopercepção e um pensar crítico e amoroso.

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