A sapiência da espuminha de marola


“Só sei que nada sei.”
Essa frase foi atribuída ao famoso filósofo Sócrates, ateniense do período clássico da Grécia Antiga que, por ser um grande estudioso, reconhecia sua própria ignorância.
É preciso ser estudioso para reconhecer a própria ignorância, pois necessita compreender a vastidão e complexidade dos diversos saberes, ter capacidade de autorreflexão e consciência de pertencimento a um sistema amplo. 

Como funciona o oposto disso tudo?
Se você sabe que há um universo enorme de saberes a ser explorado, é possível reconhecer que se sabe pouco. Mas se seus saberes estão presos em uma pequena bolha que boia na superficialidade do universo, você acredita que sabe tudo.
Quanto menos se sabe sobre a diversidade e complexidades dos saberes, menos se reconhece a própria ignorância. Pois sabe-se tudo, dentro da pequeneza de seu conhecimento.

Vivemos tempos extremamente rasos dentro do sistema educacional.
- Não é preciso ler livros.
- Não é preciso ler artigos científicos.
- Não é preciso elaborar projetos complexos.

Como funciona um processo de pesquisa ou elaboração de projeto complexo?
Até a década de 90, elaborar uma pesquisa demandava tempo, muita leitura da Barsa, livros relacionados ao tema, idas a bibliotecas públicas, consultas a acervos públicos de jornais, investigação de campo, etc.
Com o avanço da internet, pesquisar ficou mais fácil. As informações estão muito acessíveis. É possível encontrar milhares de informações, no mesmo lugar, em apenas um clique.
A acessibilidade das informações, ao contrario do esperado, está gerando desinformação.
Quando um aluno precisa fazer uma atividade que envolve pesquisa, ele entra no Google, digita algumas palavras para busca, abre o arquivo do primeiro resultado, lê de 3 a 5 linhas e passa a achar suficiente aquele conhecimento.
São adolescentes e jovens que não tem profundidade em assunto algum, não sabem dialogar, nem argumentar e por não perceber sua ignorância, exalam uma arrogância fragilizada e agressiva.

Nosso sistema educacional está produzindo diplomados sem profundidade de conhecimento.
A sapiência das 3 primeiras linhas do primeiro resultado do Google é tão rasa e volátil quanto a espuminha de marola.

Fonte da imagem: http://jornadakamoi.com/o-que-fazer-em-koh-samui/

Deixe seu comentário ou dúvidas. 


Comentários

  1. A difícil arte de mostrar a profundidade do mar, tão pouco explorado, e haver pleno contentamento com as menores ondas da praia. Pior é o sonho de grandeza que não se sustenta. Mudança necessária.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Mudança necessária, minha querida amiga. Não dá para mergulhar ou nadar na marola.

      Excluir

Postar um comentário