A fórmula mágica para planejar uma aula extraordinária


É sempre bom estar plugada nas tendências educacionais. Gosto de ler matérias de assuntos variados e tenho notado nos últimos tempos um crescente compartilhar de matérias que falam sobre como melhorar uma aula.
Algumas matérias abordam o tempo de uma aula, que normalmente é de 50 minutos, e deve ser mais curto, outras comprovam com pesquisas que o tempo deve ser mais longo. Estudos conceituados de Harvard comprovam que aulas mais interativas atraem a atenção dos alunos. Já o MIT aposta na gamificação dos conteúdos para deixar sua aula mais atraente. Também tenho visto alguns cursos para aprender a montar um PowerPoit sedutor e deixar sua aula encantadora. Outras expõem estudos para estimular a memorização dos conteúdos através de um divertido Quiz super dinâmico.
Em algumas dessas fórmulas mágicas a solução é ainda mais simples, como trocar o nome da prova por avaliação, ou adicionar a palavrinha Show associada a alguma atividade, como por exemplo: Show da feira de ciências. Trocar o nome do professor por tutor, mediador ou orientador também é outra dica fácil.

A eterna busca por um “pó de pirlimpimpim” mágico, uma receita de bolo multifuncional, um molde de EVA que sirva para solucionar todos os seus problemas em sala de aula, nos manterá na mesma posição que nos encontramos – entre os piores do mundo em educação.
As fórmulas mágicas, fáceis, práticas e simplórias não servem para solucionar problemas de base. Por que insistimos em melhorar o que deve ser eliminado? Fazer a mesma coisa, mas com uma maquiagenzinha e esperar um resultado diferente? Por que insistir no que vem dando errado faz décadas?
- Os estudiosos da pedagogia e andragogia não apoiam a educação tradicional/conteudista.
- As disciplinas fragmentadas não fazem o menor sentido.
- Um sistema conteudista é uma aberração.
- Aula não é para ser melhorada, mas sim eliminada.
- Agrupar os alunos por idade. Quem inventou esse agrupamento tão artificial?
- A riqueza da criatividade está nas diferenças. Por que dividimos as crianças em turmas ou séries?
- É IMPOSSÍVEL padronizar os saberes dos alunos.
- O erro faz parte do processo de aprendizagem, logo ele não pode ser punido.
- Memorização NÃO é sinônimo de aprendizagem. Memorização é volátil, aprendizagem é o que permanece.
- ‘Ensinagem’ NÃO gera uma aprendizagem efetiva. Aprendizagem efetiva só acontece em um aluno curioso, autônomo e protagonista no processo de pesquisa, investigação e construção de algo ou algum conhecimento.
- Prova não avalia aprendizagem.

O foco da educação deveria ser a APRENDIZAGEM e não a 'ensinagem' ou a  maquiagem das aulas. 

Volto a recordar o desconforto de um aluno que esbravejou, pois não aprendia nada com as aulas, que só aprendia quando se esforçava fazendo projetos complexos, mas dizia que a solução seria mais aulas. Tem alguma coisa errada nessa lógica, não? Se com aula ele não aprende, por que pede mais aulas? (link relacionado: O aluno nervoso e os professores que não ensinam nada)
Como disse meu amigo e mestre Prof José Pacheco (2014): "Aula é aula. Aula não é coisa para melhorar, é coisa para implodir. Numa aula não se aprende absolutamente nada, PONTO!"



Fonte da imagem: https://romarm.wordpress.com/2015/04/04/a-formula-magica-para-emagrecer/


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Comentários

  1. Concordo com texto. Por que o tempo do estudante na escola e na sala de aula é tão importante e deve ser cumprido como se fosse garantia de aprendizagem? Essa maneira de enxergar a educação precisa ser pensada e reformulada. A simples oferta de uma escola de tempo integral centrada no conteúdo descontextualizado de diferentes disciplinas está longe de ser a solução para uma aprendizagem significativa na vida do educando.

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    1. É isso mesmo, meu amigo Vladimir, Educação Integral, é bem diferente de Educação em tempo integral. Uma educação ineficiente com o dobro do tempo, é só o dobro de ineficiência.

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  2. Amando os textos e reflexões. O caminho da educação no Brasil precisa ser repensado mesmo. Obrigada pela reflexão. At. Giane Mussi

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    1. Grata por seus comentários Giane. Que bom que está gostando.

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