O pão de queijo não sabe fragmentar saberes

A vida real é repleta de saberes desfragmentados.  O único lugar onde se fragmenta os saberes, é no ambiente acadêmico. 

Era um grupo de crianças por volta dos 5 aos 8 anos, querendo comer pão de queijo.

A professora, percebendo o interesse e a curiosidade da turma, propõe que eles pesquisem sobre o pão de queijo antes de ir para a cozinha com as crianças e colocar a mão na massa.

Paula descobre que o pão de queijo é tradicional em Minas Gerais – Mas onde fica Minas Gerais? – A avó do Antônio é de Minas e ele corre para o mapa da parede para apontar onde fica. (geografia). 

Eduardo descobre que Minas fica a mais de 700 km de São Paulo (matemática) e isso dá quase 10 horas de viagem de carro (matemática).

Gisele encontra a história do motivo do pão de queijo ser famoso em Minas Gerais (história)... e as crianças copiam no caderno a breve história do pão de queijo (português).

As crianças passam a pesquisar uma boa receita e começam a ler os comentários (português) até a turma encontrar a receita mais elogiada.

Com a receita em mãos, a professora e as crianças se preparam para ir para a cozinha... mas antes, eles percebem que a receita só dá para 5 pessoas e eles estão em 20. 
Com o problema apresentado, há um instante de silêncio, mas logo Ana diz: "é só fazer mais de uma receita". Assim nasce a multiplicação (matemática) dos pães de queijo.

As crianças também descobrem o que é ¾ de xícara de polvilho (matemática), contam as 4 colheres de queijo ralado (matemática), entre outros cálculos. As crianças questionam porque o leite tem que estar quente para escaldar o polvilho (química). E todos os ingredientes são misturados (química), são divididos (matemática) em pequenas porções e assim, das mãos das crianças nascem as bolinhas. Pouco mais de 20 minutos (matemática) de forno, a 200ºC (física).

Assados os pãezinhos, as crianças descobrem que matemática, física, química, história, geografia e português, podem ter sabor de pão de queijo. Fazer pão de queijo foi muito divertido e elas aprenderam muitas coisas deliciosas e complexas com o processo.

Se todos esses saberes aprendidos, fossem passados em aulas e disciplinas separadas, em anos diferentes, com exercícios mecanizados e repetitivos, eles não fariam sentido. As crianças não seriam capazes de aplicar os conceitos, fórmulas e gráficos na prática para fazer um pão de queijo.

O clássico filme Tempos Modernos de Charles Chaplin (1936) retrata a fragmentação dos saberes.
Quando se fragmenta os saberes, automaticamente se perde a noção do todo. Ao perder a noção do todo, o ser humano se fragiliza, pois se descola do social, do global e de sua humanidade.

Na vida social ou profissional, tudo que se faz são projetos com saberes desfragmentados, de um pão de queijo, até um satélite.

Por que as escolas e universidades insistem em manter um sistema desconexo, fragmentado, baseado na memorização e com saberes que não fazem sentido?

Para quem é interessante perpetuar a fragmentação dos saberes?



Fonte da imagem:  http://www.whats4eats.com/breads/pao-de-queijo-recipe - by Wikimedia


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Comentários

  1. Lindo texto.
    O sistema mantido pelas universidades é arcaico, a partir do momento em que o próprio sistema der liberdade do "saber" para as crianças, elas irão se tornar pessoas questionadoras, e isso é um perigo para os poderosos!!

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  2. Olha... muito legal. Faz todo sentido ������������

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    1. Junta a aprendizagem dos saberes desfragmentados, com a sua listinha de desejos, a educação no Brasil desempaca, não Anna?

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  3. Parabéns!! Excelente texto, já passou da hora dessa mudança acontecer !!

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    1. Muito obrigada! Sim, já passou do tempo. Penso que o momento que estamos passando, está permitindo uma reflexão, não é?

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  4. Bacana um insentivo maravilhoso para as crianças pois hoje eles estão muito dismotivado para aprendizagem ...

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