Na escola do futuro NÃO haverá provas

Uma renomada empresa de consultoria que desenvolve soluções tecnológicas em educação, convidou-me para participar de uma tarde de dinâmica com alunos e professores do Fundamental II. 

A consultoria desenvolveu uma dinâmica bem interessante e divertida, que apresentava um desafio (fictício) desenvolvido pela Nasa, que convidava para uma viagem espacial, com direito a nave, astronautas, trilha sonora e mensagens enviadas por astronautas em missão. Essa viagem levaria os alunos para o futuro imaginário. As crianças e professores ficaram bem envolvidos e participativos.

Em um determinado momento, fomos divididos em três grandes grupos e nossa missão era estruturar uma escola dos nossos sonhos para o futuro.

Eu estava gostando muito de observar os sonhos das crianças e dos professores, mas em um determinado momento, resolvi palpitar para contribuir com a nossa escola dos sonhos. 

Peguei um bloco de Post-It laranja e com um canetão azul escrevi bem grande: “NÃO HAVERÁ PROVAS”. 

Neste momento ocorreu um breve hiato, mas logo as crianças ficaram eufóricas de alegria, no entanto eu despertara a fúria do professor de matemática que estava sentado à minha esquerda. Ele, com um tom de voz angustiado, começou a contestar freneticamente, dizendo que tem que ter prova, que a prova é importantíssima e como seria possível avaliar os alunos sem as provas?

Eu, com meu meigo olhar sonso e um sorriso irônico, fui esticando o braço bem devagarzinho para colar meu Post-It no campo determinado no cartaz das coisas que não teriam mais na nossa escola do futuro. Quanto mais meu braço esticava, mais o professor de matemática ficava agitado. Foi divertido.

Assim que eu colei o Post-It, o professor bufou indignado e parou de falar.

Eu abri um sorriso largo, olhei para as crianças eufóricas por eu ter colado o Post-It e vencido o rígido professor de matemática, perguntei para elas: Pessoal, não haverá provas em nossa escola. Como vocês vão mostrar para seus professores que vocês aprenderam?

De pronto as crianças começaram a dar várias alternativas:
    - Falando
    - Mostrando
    - Explicando
    - Desenhando
    - Jogando um joguinho
    - Construindo um joguinho
    - Apresentando um seminário
    - Apresentando um jogral
    - Apresentando um teatro
    - Fazendo uma música
    - Montando uma maquete
    - Fazendo um cartaz
    - Fazendo uma exposição

Se passássemos mais alguns minutos debruçados sobre essa questão, as crianças levantariam mais alternativas para as tradicionais provas que testam a memória de curto prazo do aluno e não sua real aprendizagem. 

Como disse Rubem Alves, "o aprendido é aquilo que fica depois que o esquecimento fez o seu trabalho". O que realmente foi aprendido, poderia ser medido um ou dois anos após o processo de aprendizagem. 

Mesmo depois de tantas alternativas, lamentavelmente desconfio que o professor de matemática continue acreditando que a prova é a única forma de avaliar seus alunos.




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Comentários

  1. Que texto bacana, Tina! Também concordo que os alunos podem ser avaliados de diversas maneiras, mas as provas ainda são a principal forma de avaliação na Educação Básica. É uma pena que isso aconteça, ainda mais com os alunos do Ensino Fundamental... Abraço.

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    1. Que bom que gostou Vladimir. Fico honrada com seu comentário. Eu também morro de dó dos alunos do Infantil e Fundamental , mas concordo que as provas, em algumas escolas ainda são a principal forma de avaliação, até porque nosso modelo educacional estagnou no século XVIII. Fico feliz pois cada dia surge uma 'nova' escola humanizada - sem aula, sem série e sem prova, mas com bastante aprendizagem. \o/

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  2. Os "bons alunos" são aqueles que aprendem a fazer provas, não aqueles que consolidam o conhecimento.

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