Humanizar o ato educativo

... este foi o pedido de meu amigo e mestre José Pacheco.

É fácil entender que memorizar um volume gigantesco de conteúdo para responder questões da prova, não é aprender. 

É fácil entender que conteúdos fragmentados e desconexos da realidade, não fazem sentido para uma vida interdisciplinar.

Em uma breve conversa com Pacheco, pude expor duas preocupações relacionadas às 'roupagens da moda' que a educação tradicional vem ganhando nos últimos tempos:
a) As Metodologias Ativas da Aprendizagem, que são incríveis, mas mal usadas ganham enorme espaço para maquiar as velhas e ineficientes práticas da educação tradicional e servem para florear as escolas instrucionistas. 
b) As ferramentas tecnológicas não são usadas para facilitar os processos de aprendizagem, pesquisa, investigação e autonomia do aluno, mas para enrijecer os controles de ‘ensinagem’ e de 'decoreba' de conteúdos fragmentados.

Resolvi questionar Pacheco pontualmente: Olhando o panorama geral, o senhor acredita que os processos educacionais tendem a enrijecer cada vez mais, ou estamos em um processo lento de humanização, onde a Aprendizagem por Projetos ganha espaço?

A resposta foi curta e direta: "É bem verdade que os processos educacionais tendem a enrijecer cada vez mais. Mas não poderemos desistir de tentar humanizar o ato educativo."

Como humanizar o ato educativo? 
1 - Podemos iniciar com empatia, olhando para cada aluno como um ser único e para isso, se faz necessário quebrar as padronizações excludentes como as apostilas, séries, provas, uniformes, carteiras enfileiradas, mesma tarefa para todos, mesmo ritmo e qualquer outra atividade que robotize o processo. 
2 - Focar na aprendizagem como um processo social, coletivo, colaborativo, afetivo, personalizado, interno e ativo.
3 - Aproximar as famílias e comunidades desse processo educativo.

Continuamos em uma batalha enorme e muito complicada para transformar a educação em um processo de construção de conhecimento, habilidades e competências e não mais de acumulo de teorias fragmentadas.

O caminho é longo e não podemos esmorecer.

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Leitura recomendada: Aprender para fazer OU fazer para aprender – A inovação disruptiva da Aprendizagem por Projetos

Ilustração de Daniel Araújo - SAÚDE é Vital - https://saude.abril.com.br/mente-saudavel/suicidio-a-vida-nao-pode-parar/


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Comentários

  1. Muito bom, obrigada penso por essa mesma ótica.

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  2. Tenho feito muitas leituras e reflexões a respeito dessas novas tendências, porém meu questionamento, dúvidas seria como caminhar nessa direção de o sistema educacional é oponente a todas essas novas metodologias? Como preparar o aluno integralmente com o formato dos vestibulares que temos

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    1. Cristina, muito obrigada pelo seu comentário. A primeira transformação precisa ser interna no educador, que precisa tirar o foco da 'ensinagem' e focar na aprendizagem do educando. Quando o processo de aprendizagem acontecer efetivamente, esse jovem estará preparado para a vida e para qualquer prova que ele queira fazer.

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