As angústias de uma aluna que não aprende - (parte 1)

Uma graciosa e dedicada aluna me procura, com fala mansa e um olhar aflito dizendo:

Tina, meus professores são excelentes. Eu presto atenção na exposição dos conteúdos. Eu escrevo muito em meu caderno, pois isso me ajuda a memorizar, mas sinto que não estou aprendendo.
Semana passada, um professor fez uma exposição complexa. Eu anotei tudo. Ao final da aula, ele passou uma tarefa e disse que levaríamos poucas horas para fazer, mas eu levei um dia inteiro pesquisando na internet, assistindo vídeos de tutoriais no YouTube... eu li muito antes de conseguir realizar os exercícios - e ainda errei um dos resultados. Tive a sensação de ser uma burra, por levar um dia inteiro para fazer um exercício que deveria levar algumas horas.
Pude notar que muitos em minha turma não conseguiram fazer o exercício e a maioria não se deu ao trabalho de pesquisar e procurar soluções por conta própria.

Após ela extravasar suas angústias, ressaltei que memorizar é algo completamente diferente de aprender. Fiz algumas perguntas do Fundamental I, II e Médio, e ela não soube responder, assim comprovando que ela havia memorizado as informações para tirar nota nas provas, mas isso não havia gerado aprendizado. 
Perguntei se todo esse exaustivo processo de autonomia e protagonismo, que levara um dia inteiro de dedicação solitária e pesquisas para realizar os exercícios a fez aprender. Ela confirmou que sim. Eu sorri e disse, é assim que se aprende de verdade, que se constrói um aprendizado efetivo. 
Ainda inconformada, ela não entendia porque a aula tão bem dada por seu professor, não foi suficiente para aprender e fazer os exercícios. A resposta é simples – NÃO SE APRENDE EM UMA AULA EXPOSITIVA – Como disse Viviane Mosé: “Professor não ensina, é o aluno que aprende”. E em outra ocasião ela disse que ninguém ensina nada a ninguém, que o outro não esteja preparado para aprender.
A aluna, um pouco menos aflita me questionou se todo mundo aprende do mesmo jeito. Não, somos únicos e aprendemos de formas diferentes, mas a aprendizagem acontece pelo protagonismo do aluno, sempre no campo do FAZER (complexo e desfragmentado), errar, refazer, errar, refazer e assim por diante. O erro deveria ser aceito nas instituições de ensino como parte do processo de aprendizagem, mas ao contrário, eles são punidos.

Quantos alunos (do fundamental I até as universidades) andam angustiados? Quantos alunos conseguem alcançar uma compreensão de sua 'não aprendizagem' em aulas expositivas? Quantos alunos tem autonomia e persistência para buscar caminhos de solução?

Vale assistir: O que a escola deveria aprender antes de ensinar? de Viviane Mosé



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