Fazer projeto é muito chato

O professor passa a semana pedagógica planejando suas aulas e os projetos de ensino que seus alunos irão desenvolver ao longo do semestre.

O professor planeja os projetos com muito capricho e de forma bem detalhada. Cada projeto tem definido as regras, o tema, o desafio, o objetivo, o ritmo, o caminho que todos os alunos irão percorrer, os conhecimentos que os alunos irão adquirir e o resultado que todos deverão alcançar. Tudo planejado... mesmo assim os alunos não gostam de fazer o projeto e acham muito chato todo processo.
Onde está a falha?
Primeiramente, gostaria de ressaltar a diferença entre Projeto de Ensino e Projeto de Aprendizagem. Para isso, cito um trecho do texto do professor Nilbo Nogueria:

PROJETO DE ENSINO
No projeto de ensino o principal ator é o professor, o qual determina um tema a ser trabalhado, planeja uma trajetória da sua projeção, delimita caminhos, hierarquiza conteúdos, define os problemas e centraliza os conhecimentos e informações basicamente nele próprio.
No projeto de ensino o aluno assume um papel coadjuvante, embora possa ter, em alguns casos, algum espaço para questionar, pesquisar e criar, existem limitações, pois tudo pode ser possível desde que não fuja ao controle do planejado pelo professor. Para Boutinet (2002): “Com efeito, um projeto qualquer, definido fora dos alunos, confiscado para seus próprios fins por um grupo de agentes administrativos, ou de professores, engendrará nos alunos reflexos tradicionais de passividade, até mesmo de rejeição.”
[...] Novamente podemos cair na variante da nomenclatura e chamar o projeto de ensino de estratégia ou abordagem para ministrar a aula, desde que não perca o foco de que é o professor que fez toda uma projeção para ensinar algo aos alunos.
PROJETO DE APRENDIZAGEM
Do outro lado temos o projeto de aprendizagem, onde o tema e o planejamento não são programados apenas pelo professor, mas também pelos alunos. Nesse caso, o projeto nasce de interesses, necessidades, questionamentos e problemas trazidos pelos alunos e, juntamente com o professor, vão planejar os caminhos dessa projeção.
Bem diferente do projeto de ensino, no projeto de aprendizagem não existem certezas, não existem caminhos predeterminados e o foco do conhecimento e das informações não está apenas no professor, mas também em todo e qualquer artefato (material, pessoal, tecnológico, etc.) no qual o aluno possa buscar e pesquisar informações, e com a ajuda do professor, tratá-las de tal forma a depurar tudo aquilo que possa ser utilizado no projeto e assim oportunizar que as informações coletadas venham a se transformar em conhecimento.
Como já sabemos, no projeto o aluno poder trabalhar com procedimentos mais ativos e concretos, quebrando desta forma a sua passividade, porém o que vai diferenciar as intensidades de interações, de ruptura parcial ou total de passividade, a contextualização e os significados está diretamente ligado a escolha da estratégia em trabalhar o projeto por ensino ou por aprendizagem.

O Projeto de Ensino nasce dos desejos e sonhos do professor. É um projeto que deve ser realizado, pois assim o professor mandou e vale nota. Dificilmente os alunos irão desenvolver uma conexão afetiva ao projeto e passar semanas desenvolvendo um projeto imposto será uma tarefa enfadonha.
Em contrapartida, desenvolver Projeto de Aprendizagem de interesse dos alunos - sob a tutoria dos professores -, eles criam uma conexão afetiva com o projeto e desenvolve-lo passa a ser prazeroso, onde as dificuldades serão encaradas como desafios possíveis de superar com persistência, estudo e pesquisa.
No Projeto de Aprendizagem, o aluno é protagonista e responsável pelo desenvolvimento e resultado do projeto. O desejo de fazer um bom projeto é do aluno.


Para o aluno, desenvolver projetos sonhados por ele é bem legal.



Imagem fonte: Mundo Avesso - Carlos Ruas - https://www.umsabadoqualquer.com/page/22/


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