"Se não mostrarmos o cenário e figuras as crianças nunca saberão como tudo aconteceu." - por Tina Carvalho

Muitos entre nós já passamos ou conhecemos pessoas que passaram por uma experiência de ter lido um clássico da literatura e quando esse livro chegou às telas dos cinemas, correu para assistir. A grande maioria ou sua totalidade sai das salas de cinema com um grau de frustração, pequeno ou grande, não importa, todos saem frustrados.
Será que eles não gostaram da história?
Não acredito que a questão aqui é gostar ou não da história, dos atores, da trilha sonora ou qualquer outro detalhe cinematográfico.
A questão é muito mais profunda.
Ao ler uma história escrita, o imaginário é utilizado em sua total liberdade. Quem coloca o rosto nos personagens, os sons, os cheiros, as cores, o tom de voz, os cenários, os gostos e tudo mais, fica a critério do leitor. São seus sonhos, que apesar de um adulto achar que ele está adormecido, volta a abrir suas asas e alçar vôo e preenchem o visual da literatura escrita. Ao ser filmado, essa história passa pelo crivo de um grupo restrito de pessoas como o diretor, roteirista, atores, etc. E essa leitura de um pequeno grupo, jamais será tão magnífica quanto a leitura que se fez.
O imaginário infantil tem liberdade, criatividade, sonhos e asas e é dessa forma que a criança capta uma história.
Os cenários Bíblicos prontos são imagens que passaram pelo crivo da capacidade imaginária de algum ilustrador, já caracterizando um limitador empobrecedor do cenário real, ou do cenário que uma criança pode construir em sua mente.
Não apresentar cenários pré-determinados, não fará com que as crianças fiquem perdidas no aprendizado, mas sim permitirá que elas usem suas próprias ferramentas, o imaginário, para desenvolverem em suas mentes um cenário infinitamente mais rico, do que qualquer diretor de cinema de Hollywood ou grande ilustrador poderia criar.

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