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Pacto Nacional por Andar na Idade Certa

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(contém ironia neste texto) Aprender a andar passou a ser de responsabilidade das escolas e elas resolveram adotar o mesmo processo usado para alfabetizar. Toda criança tinha o direito de aprender a andar aos 12 meses. Em 6 de fevereiro de 2006, a idade passou a ser de 11 meses. Aos 9 meses de idade, toda criança tem o direito de começar a ter os primeiros contatos com o sapato e a compreensão do mecanismo funcional dos pés. O Ministério da Educação implantou o Pacto Nacional por Andar na Idade Certa. O objetivo do programa é proporcionar mobilidade do andar a todas as crianças, ao final do 12º mês de vida. As primeiras tentativas de ficar em pé, passaram a ser marcadas por inúmeras correções. E assim, a cada passo cambaleante das crianças, elas escutavam: Presta atenção! Posiciona corretamente este pé! Olha para o chão! Mantenha o equilíbrio! Para de tropeçar! Anda direito menino! Para de se apoiar na parede. Repita este movimento 20 vezes. Acho que essa criança precisa ser laudada e

A triste plaquinha de BANHEIRO

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Era uma sala de aula de crianças pequenas. Um grupo de 15 crianças, entre 5 e 6 anos. Elas estavam “presas” em carteiras duras, fazendo algum dever que lhes foi imposto. Obedientes e controladas.   Um garotinho me chamou a atenção, ele destoava das outras crianças. Seus olhos brilhavam, seu sorriso era lindo, mas apesar de solto, não conseguia contagiar os amiguinhos. Somente ele iluminava. Seu corpo de mexia, mas continuava contido no seu lugar.   Eis que se descola da carteira uma garotinha. Em seu profundo silêncio e com passos cautelosos, ela segue rumo a um crachá pendurado em um prego, próximo a porta de saída. Um barbante longo e uma plaquinha estampava a figurinha de uma menina e logo abaixo, escrito bem grande: BANHEIRO. Ela chega sem se apresentar, estende a plaquinha para nos mostrar e com o tom de voz contido, diz: esta é a plaquinha do BANHEIRO. Eu paralisei naquele olhar profundamente entristecido.  As sobrancelhas estavam tão caídas, que forçaram um vinco entre elas.  Vi

A escola revelada pela pandemia

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Vejo muitas matérias de especialistas que relatam o prejuízo causado pela pandemia aos estudantes. Algumas matérias chegam a afirmar que o ano escolar perdido, ameaça afetar o futuro profissional desses alunos. Também encontrei uma matéria com o relato de um pai que dizia que longe das escolas, os filhos estão perdendo a capacidade de concentração. Vamos verificar alguns dados que vêm ameaçando drasticamente o futuro profissional dos estudantes brasileiros: - 91% dos alunos que concluíram o ensino médio, não apresentam um conhecimento adequado em matemática. - 52% das pessoas com idade entre 25 e 64 anos não concluíram o ensino médio. - 78% dos universitários não são plenamente alfabetizados - O PISA do Brasil está entre as mais baixas notas do mundo. Enquanto muitos estão preocupados com um ano escolar perdido, eu me preocupo com 12 anos perdidos, ou quem sabe os últimos 40 anos de sistema escolar perdidos.   A pandemia desnudou uma realidade que há muito tempo é apresentad

Um fóssil educacional que nasceu do repolho

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Sou da geração de professores da década de 80, que fazia Colégio Técnico em Magistério – 3 anos de educação básica e mais 1 ano para especialização em educação infantil. Foram 4 anos de muita leitura, estudos e uma montanha de atividades desenvolvidas. Foi no Magistério que tive contato com teóricos como de Darcy Ribeiro, Paulo Freire, Maria Montessori, Piaget, Vygotsky, Carl Rogers, entre outros nomes de peso da educação. Tive o privilégio de ter uma professora que fazia pequenos grupos de estudos nos finais de semana. Ela nos cobrava leituras de livros, fazíamos fichamentos, cursos de técnicas artísticas, jogos, construção de materiais didáticos com sucatas, papel, isopor, papel machê, entre outros recursos. Foi um curso muito rico e apaixonante, eu amava tudo naquele curso. Fui tão dedicada, que ao término, eu sabia que não poderia dar aulas em um colégio tradicional, pois eu deixaria alguma coordenadora ou diretora de cabelos em pé, pois em 1983, eu já não acreditava na educa

A incongruência da avaliação na educação

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Para falar de avaliação, primeiro preciso falar de autonomia e pensamento crítico. Conceitos lindos, com amplo destaque em todos os PPPs e PPCs das escolas e universidades. Autonomia : “capacidade de governar-se pelos próprios meios.” Antônimo de autonomia : “dependência e servidão.” ¹ Autonomia sempre deve estar associada a responsabilidade. Segundo a minha amiga educadora Maria Regina Potenza, " a utonomia é a capacidade de tomar decisões individuais, com consciência social e se responsabilizar pelas consequências, sejam elas acertadas ou não."   Pensamento crítico : “é um julgamento propositado e reflexivo sobre o que acreditar ou o que fazer em resposta a uma observação, experiência, expressão verbal ou escrita, ou argumentos.” ²   Gosto do exemplo de amarrar os cadarços dos tênis. Um dia, alguém virou para mim e disse: “Se vira. Amarra você mesma”. Devo ter ficado bem chateada com essa resposta, pois estava acostumada a depender de alguém para amarrar meus cadarç

Desejos insólitos para a educação pós pandemia

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A pandemia trouxe várias rupturas sociais e sanitárias.  A educação tomou alguns rumos jamais imaginados.   Que momento propício para mudanças, pois tudo entrou em um ciclone de transformações. Oportunidade perfeita para que o velho normal da educação NUNCA mais volte. É neste cenário que comemoramos o Dia dos Professores. Parabéns meus amigos corajosos, fortes, conspiradores e românticos. Agora é hora de arregaçar as mangas e não permitir que o velho sistema educacional fordista, conteudista, ineficiente, sem embasamento legal e científico volte. Que os saberes fragmentados em disciplinas e matérias, sejam substituídos por saberes complexos, desfragmentados e com utilidade prática para a vida. Que a disciplina rigorosa do ambiente escolar seja completamente substituída pela autonomia com responsabilidade. E que você, professor, também tenha autonomia, pois ninguém dá o que não tem. Que as fileiras de carteiras que castram a interação e geram contempladores de nucas, sejam substituídas

O dia em que Vygotsky surtou

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Inovação é a ação ou efeito de inovar. Por exemplo: aquilo que é novo, coisa nova, novidade. Essa palavrinha virou moda faz um tempo e agora, devido à pandemia, todos falam de um “novo normal” inovador. Gosto de ler textos que relacionam inovação ao processo educativo escolar e brinco de encontrar o “dono” da inovação. Hoje li um texto maravilhoso sobre inovação no espaço escolar. O texto falava de espaços abertos, mais amplos e arejados. Achei incrível, mas tudo isso se tratava de inovação na arquitetura.  Gamificação é uma inovação tecnológica. Eu amo essa ideia e acho que ela demorou muito para chegar até as escolas.  Creio que, se ela não for usada para estimular a memorização de conteúdos fragmentados, mas sim para desenvolver estratégias de soluções de problemas complexos, será eficiente, mas se for usada somente para estimular a decoreba de conteúdos através da repetição… Socorro!  Aula invertida virou quase uma “religião” na pandemia. Parece que ela chegou para solucionar o fra