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A escola revelada pela pandemia

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Vejo muitas matérias de especialistas que relatam o prejuízo causado pela pandemia aos estudantes. Algumas matérias chegam a afirmar que o ano escolar perdido, ameaça afetar o futuro profissional desses alunos. Também encontrei uma matéria com o relato de um pai que dizia que longe das escolas, os filhos estão perdendo a capacidade de concentração. Vamos verificar alguns dados que vêm ameaçando drasticamente o futuro profissional dos estudantes brasileiros: - 91% dos alunos que concluíram o ensino médio, não apresentam um conhecimento adequado em matemática. - 52% das pessoas com idade entre 25 e 64 anos não concluíram o ensino médio. - 78% dos universitários não são plenamente alfabetizados - O PISA do Brasil está entre as mais baixas notas do mundo. Enquanto muitos estão preocupados com um ano escolar perdido, eu me preocupo com 12 anos perdidos, ou quem sabe os últimos 40 anos de sistema escolar perdidos.   A pandemia desnudou uma realidade que há muito tempo é apresentad

Um fóssil educacional que nasceu do repolho

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Sou da geração de professores da década de 80, que fazia Colégio Técnico em Magistério – 3 anos de educação básica e mais 1 ano para especialização em educação infantil. Foram 4 anos de muita leitura, estudos e uma montanha de atividades desenvolvidas. Foi no Magistério que tive contato com teóricos como de Darcy Ribeiro, Paulo Freire, Maria Montessori, Piaget, Vygotsky, Carl Rogers, entre outros nomes de peso da educação. Tive o privilégio de ter uma professora que fazia pequenos grupos de estudos nos finais de semana. Ela nos cobrava leituras de livros, fazíamos fichamentos, cursos de técnicas artísticas, jogos, construção de materiais didáticos com sucatas, papel, isopor, papel machê, entre outros recursos. Foi um curso muito rico e apaixonante, eu amava tudo naquele curso. Fui tão dedicada, que ao término, eu sabia que não poderia dar aulas em um colégio tradicional, pois eu deixaria alguma coordenadora ou diretora de cabelos em pé, pois em 1983, eu já não acreditava na educa

A incongruência da avaliação na educação

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Para falar de avaliação, primeiro preciso falar de autonomia e pensamento crítico. Conceitos lindos, com amplo destaque em todos os PPPs e PPCs das escolas e universidades. Autonomia : “capacidade de governar-se pelos próprios meios.” Antônimo de autonomia : “dependência e servidão.” ¹ Autonomia sempre deve estar associada a responsabilidade. Segundo a minha amiga educadora Maria Regina Potenza, " a utonomia é a capacidade de tomar decisões individuais, com consciência social e se responsabilizar pelas consequências, sejam elas acertadas ou não."   Pensamento crítico : “é um julgamento propositado e reflexivo sobre o que acreditar ou o que fazer em resposta a uma observação, experiência, expressão verbal ou escrita, ou argumentos.” ²   Gosto do exemplo de amarrar os cadarços dos tênis. Um dia, alguém virou para mim e disse: “Se vira. Amarra você mesma”. Devo ter ficado bem chateada com essa resposta, pois estava acostumada a depender de alguém para amarrar meus cadarç

Desejos insólitos para a educação pós pandemia

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A pandemia trouxe várias rupturas sociais e sanitárias.  A educação tomou alguns rumos jamais imaginados.   Que momento propício para mudanças, pois tudo entrou em um ciclone de transformações. Oportunidade perfeita para que o velho normal da educação NUNCA mais volte. É neste cenário que comemoramos o Dia dos Professores. Parabéns meus amigos corajosos, fortes, conspiradores e românticos. Agora é hora de arregaçar as mangas e não permitir que o velho sistema educacional fordista, conteudista, ineficiente, sem embasamento legal e científico volte. Que os saberes fragmentados em disciplinas e matérias, sejam substituídos por saberes complexos, desfragmentados e com utilidade prática para a vida. Que a disciplina rigorosa do ambiente escolar seja completamente substituída pela autonomia com responsabilidade. E que você, professor, também tenha autonomia, pois ninguém dá o que não tem. Que as fileiras de carteiras que castram a interação e geram contempladores de nucas, sejam substituídas

O dia em que Vygotsky surtou

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Inovação é a ação ou efeito de inovar. Por exemplo: aquilo que é novo, coisa nova, novidade. Essa palavrinha virou moda faz um tempo e agora, devido à pandemia, todos falam de um “novo normal” inovador. Gosto de ler textos que relacionam inovação ao processo educativo escolar e brinco de encontrar o “dono” da inovação. Hoje li um texto maravilhoso sobre inovação no espaço escolar. O texto falava de espaços abertos, mais amplos e arejados. Achei incrível, mas tudo isso se tratava de inovação na arquitetura.  Gamificação é uma inovação tecnológica. Eu amo essa ideia e acho que ela demorou muito para chegar até as escolas.  Creio que, se ela não for usada para estimular a memorização de conteúdos fragmentados, mas sim para desenvolver estratégias de soluções de problemas complexos, será eficiente, mas se for usada somente para estimular a decoreba de conteúdos através da repetição… Socorro!  Aula invertida virou quase uma “religião” na pandemia. Parece que ela chegou para solucionar o fra

15 de setembro de 1933 - Parabéns Rubem Alves

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Tenho um carinho enorme por Rubem Alves. Ele transformou minha trajetória docente.   Com uma fala provocadora, consolidou meus pensamentos sobre educação, permitindo que eu passasse a ter esperança de que era possível fazer diferente.   Ele me fez perceber que não estava todo mundo certo e eu errada. Que padronizar as crianças com aulas, apostilas e provas era realmente sem sentido. E que construir uma educação humanizada, que respeitasse o tempo e as diferenças de cada aluno, era possível.   Hoje ele faria aniversário e para comemorar, darei de presente alguns trechos de livros do Rubem Alves:  “ Pinóquio às avessas ”, a trilogia “ Para quem gosta de ensinar ”, e para terminar, um dos textos mais inspiradores: “ Gaiolas e asas ”.   “– [...] Quem foi que colocou em fila as coisas que devo aprender? – Quem põe os conhecimentos em fila são pessoas muito inteligentes, do governo. – E como é que eles sabem o que quero aprender se não me conhecem e moram longe de mim?

A revolução dos alunos autônomos

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“Era preciso aprender a desaparecer, a fomentar autonomia.”   [José Pacheco, 2020]   Houve um tempo em que meus alunos universitários não me requisitavam mais. Faziam aquele burburinho, se movimentavam pela sala de aula, alguns se exaltavam no tom de voz, eram gargalhadas e muitas histórias... e como eles batiam papo.   Eu amava observá-los. Era encantador vê-los se divertindo, adquirindo  conhecimento  e produzindo projetos, tudo ao mesmo tempo.   Quando me sentia entediada, eu pedia a palavra e falava: “Hey galera! Alguém pode me perguntar alguma coisa? Compartilhar uma angústia? Estou me sentindo inútil aqui sentada no cantinho”. Eu morria de rir... Os “moleques” davam risada, me ignoravam e continuavam a trabalhar em seus projetos, com suas investigações, a interagir entre os grupos e a pedir e oferecer ajuda aos colegas. Alguns saiam da sala a procura de outros professores especialistas em algo especifico que buscavam. Era como um Ballet, e do tipo moderno.   Minh